História

Caldelas

A vila termal de Caldelas, com 4,47 km² de área e 1 030 habitantes (2001), resultando numa densidade populacional de 226,6 hab/km², dista 10km da sede de concelho, Amares.

A origem de Caldelas é localizável, aos conhecimentos de hoje, à saída da pré-história, através da existência de uma pequena povoação castreja, fortificada, em que viviam um reduzido número de famílias Celtas. Essa povoação proto-histórica é ainda hoje localizável no outeiro de S. Sebastião (latitude:180; longitude:522.35; alttude:222 m), junto do actual lugar do Monte, sendo identificáveis actualmente somente material de derrube, nos locais onde passaram as muralhas, visto que a cobertura vegetal do cabeço não deixa perceber quaisquer estruturas à superfície.

Desconhece-se, por falta de trabalho arqueológico, se o pequeno povoado castrejo terá sido romanizado, e daí ter originado a "Caldelas Romana", mas o contacto da povoação de Caldelas com os Romanos é um facto histórico inegável. A sua posição geográfica, assente numa colina próxima do vale do Homem, marginada por dois cursos de água (um rio e uma regato), facilmente defensável contra agressores indesejáveis, terá oferecido condições excelentes aos romanos para implementarem a sua organização e a sua língua na zona. Para comprovar a romanização de Caldelas, basta atender aos vestígios romanos encontrados na localidade, que vão desde uma Necrópole Romana (latitude:180; longitude:522.2; alttude:150 m), identificada pelo Padre João Martins de Freitas, no início do século, aquando de obras no que é hoje o Grande Hotel da Bela Vista, tendo sido encontrados nesta três vasos de cerâmica comum romana, inteiros, com pastas claras, muito semelhantes a outros exumados nas necrópoles de Braccara Augusta, ou mesmo, as duas lápides (hoje expostas no hall de entrada do Grande Hotel da Bela Vista), duas aras votivas, epigrafadas, dedicadas às Ninfas, encontradas em 1803 aquando da realização de obras junto das nascentes das termas, uma com a inscrição "CAEN(i)/ CIEN(US)/ NYM/ PHIS/ EX VO/ TO", que pode ser transcrito para português como, "Ceniciano às Ninfas por voto", e outra ".../ D(e)AB(US)/ NYM/PHIS/ EX VO/ TO", que pode ser transcrita como, "Às Deusas Ninfas por voto". É evidente, na segunda parte de ambas as inscrições, a expressão de um voto (uma promessa) feito às Deusas Ninfas daquelas nascentes, mostrando claramente, que os romanos conheceram, utilizaram e apreciaram aquelas nascentes, atribuindo-lhes "poderes sobrenaturais".

Na primeira metade do século V da nossa era, os Bárbaros, povos do norte da Europa e Ásia ocidental, invadiriam em vagas sucessivas o Império Romano do Ocidente, usando a técnica da terra queimada, destruindo tudo à sua passagem. Braccara Augusta foi conquistada pelos Visigodos em 456 e Roma foi tomada pelos Hérulos, vinte anos depois, em 476, ditando assim o fim definitivo do Império Romano do Ocidente e dando início ao que viria a ser conhecido na História Universal como a Idade Média. Para Caldelas, a Idade Média foi um "túnel" de silêncio e desinteresse, época que pode mesmo ser considerada de decadência. Tal pode ser explicado pela fúria devastadora dos Bárbaros, que como parte vencedora, entendiam que deviam destruir todo o que lhes recordasse os vencidos conjugada com o desinteresse da Igreja, unidade central de poder da Idade Média, pelas nascentes termais de Caldelas, que tinham sido descobertas por idólatras e pagãos, que adoravam forças da natureza e não Deus.

Num documento de 1145, relativo a direitos de igrejas, herdades e rendimentos, é dada notícia duma divisão de arcediagos de Braga entre o arcebispo e o seu cabido, sendo referidos nomes de freguesias vizinhas de Caldelas, como Torre e S. Vicente. Contudo neste documento não é referido expressamente o nome de Caldelas, apesar de pertencer ao referido arquidiaconato de Entre Homem e Cávado. Este facto pode ser explicado, não pela inexistência de Caldelas à altura, mas sim pelo facto de esta ser terra de Comenda de Cristo, tendo o título de reitoria, até 1918, ano das Constituições Bracarenses, tendo só então sido convertida em Abadia. O primeiro registo histórico de Caldelas, data de 1208, num documento do papa Inocêncio III, que encarregava o Deão de Zamora, de resolver um conflito entre o arcebispo de Braga e algumas freguesias que se recusavam a pagar direitos à cúria diocesana. Entre as freguesias mencionadas no referido documento, consta expressamente o nome da freguesia de Santiago de Caldelas, significando isto que esta já tinha existência canónica em 1208. Num outro documento de 1214, sobre uma divisão de dádivas entre o arcebispo de Braga e o seu cabido, também consta expressamente o nome de Santiago de Caldelas.

Em meados do séc. XVIII começou em Caldelas um novo período histórico, devido em grande parte aos conselhos dum frade carmelita e, depois, à dedicação activa dos frades do Mosteiro de Rendufe. Assim, em 1779, um frade carmelita descalço, Frei Cristóvão dos Reis, administrador da botica do Convento do Carmo em Braga, publica em Lisboa uma obra intitulada "Reflexões Metódico-Botânicas (e outras notícias de águas minerais) ", onde o autor faz várias considerações sobre as duas nascentes termais, a que chamou Caldas do Albito, de Caldelas, e das quais se pode salientar a menção ao desinteresse que vinha de longe pelas duas nascentes, visto os locais não as usarem como águas medicinais, servindo estas apenas como qualquer nascente vulgar para lavar roupa, referindo que nas condições em que as encontrou não havia condições sequer para banhos. Contudo, refere virtudes terapêuticas extraordinárias para as águas das duas nascentes, nas áreas de tratamentos cutâneos e gástrico-intestinais, enumerando sucessos curativos alcançados por pessoas a quem as aconselhou. O frei Cristóvão, pode ser considerado como o desencadeador, em meados do séc. XVIII, do movimento popular que produziu o "Renascimento" das águas mineromedicinais de Caldelas. O povo começou então a utilizar as águas mineromedicinais, de uma maneira desordenada, não existindo instalações adequadas para tal. Em 1780, as águas mineromedicinais de Caldelas começaram a ser administradas pelos frades do Mosteiro de Rendufe, até 1834, ano da extinção das ordens religiosas. Foi na administração do Mosteiro de Rendufe que se operou, nas Caldas do Albito, a transição da fase de utilização primitiva, para uma utilização disciplinada, a caminho da exploração moderna. Em 1803, fizeram obras, construíram quatro poços em pedra e instalaram a chamada ainda hoje chamada "Bica de Fora". Após 1834, a administração termal passou sucessivamente, pelo pároco de Caldelas, pela Câmara Municipal de Caldelas, pelo Visconde de Semelhe e finalmente, pela administração actual da Empresa das Águas Mineromedicinais de Caldelas, tendo a vida de Caldelas ficado permanentemente ligada, até aos dias de hoje, com a vida das suas Termas.

Nome da Povoação

O nome de Caldelas (Caldellas na grafia antiga), é todo de origem latina e o seu significado relaciona-se directamente com as nascentes mínero-medicinais. Assim, etimologicamente, o vocábulo "Calldelas" é uma palavra derivada do étimo latino "calda" (que significa água quente) com o sufixo diminutivo "ella" também latino (que junta a ideia de pequenez), sendo o plural utilizado para referir duas nascentes. Assim "Caldellas" significa literalmente "pequenas águas quentes", estando o nome da povoação naturalmente ligado ao período da romanização atrás referido, existindo registos escritos deste nome desde o século XIII. Caldelas, só com um l, é a grafia moderna, adoptada no primeiro quartel deste século.

A título de curiosidade, refere-se aqui uma ingénua e errónea lenda, contada ainda hoje, sobre o nome Caldelas, certamente provocado por um erro ortográfico feito no século XVI. Assim, num documento datado de 1528, sobre direitos devidos ao arcebispo de Braga, o nome da povoação aparece com a grafia de Qualdellas, mais exactamente Santiago de Qualdellas. Por esta grafia alguém entendeu o que o vocábulo era composto pela justaposição de "Qual-dellas", tendo o povo, sempre com a sua adorada imaginação, encontrado de imediato um significado para este nome, criando a lenda que passamos a descrever resumidamente: certo dia um forasteiro, que procurava o alívio das águas milagrosas, quando chegou junto das nascentes, deparou-se com a existência de não uma, mas sim, duas nascentes (que ainda hoje existem) e naturalmente perguntou, a alguém que se encontrava no local, "De Qual dellas devo beber?". Contudo esta lenda, tal como referido acima, e o nome Qualdellas, derivam certamente de um erro de um escrivão menos rigoroso, que trocou o C por Qu, visto que a grafia Caldellas está registada em diversos documentos dos três séculos anteriores ao primeiro aparecimento da grafia Qualdellas. Quanto aos nomes que identificaram as águas mineromedicinais, podemos referir cronologicamente, desde os tempos da romanização até aos nossos dias, Caldellas, Caldas do Alvito (pequeno ribeiro que passa junto ao local), Caldas de Rendufe, Caldas de Caldelas, Poços e Banhos e finalmente, Termas de Caldelas.


Sequeiros

Sequeiros foi uma freguesia do concelho de Amares, no distrito de Braga, que dista da sede concelhia cerca de 10 quilómetros. O seu orago é S. Paio, todos os anos celebrado a 29 de Julho. Sequeiros é constituída pelos seguintes lugares: Igreja, Paçó, Cancela, Pousada, Quintã, Bárrio, Pitães, Tojal e Ramalha.

O topónimo “Sequeiros” é um derivado de “sequeira”, de “terra de sequeiro” ou seja sem água. Fontes documentais referentes à região onde se insere Sequeiros revelam que ali são numerosas as ruínas e os vestígios arqueológicos, sobretudo os que apontam para a presença militar de diferentes povos, nomeadamente romanos. Acontece que, o desconhecimento e dessaber absolutos por romanos e outros povos que antes e depois deles por cá passaram, sendo esta falta de saber, o bastante para o esquecimento destas culturas e o medrar das lendas encantadas, gerando-se na fantasia do povo uma curiosas crendice que tem o seu sentido neste verso, recolhido pela abade João de Freitas: “Entre Sam Julião (em S. Vicente) / Castelhão (de Sequeiros) E Sam Sebastião (de Caldelas) (Está um sino d’ouro/Do Rei Mourão”.

A vetustez do povoamento de Sequeiros é atestada pelos vários indicativos da existência de um castro no local, de que são exemplo: a descoberta de alguns objetos em cerâmica, referidos há já alguns anos, a toponímia, as condições topográficas do sítio e a sua localização, embora se encontre o local plantado num monte praticamente sobranceiro ao rio Homem, envolto por uma densa cobertura vegetal, o que dificulta a observação de estruturas cerâmicas ou de outra espécie; todos estes fatores aliados, são importantes testemunhos arqueológicos da sua ancianidade, também revelada pela proximidade das Termas de Caldelas, já exploradas pelos romanos, e que se tornou uma das mais importantes estâncias termais portuguesas.

A primeira referência documental a Sequeiros talvez tenha sido em 1059, feita no inventário dos bens do Mosteiro de Guimarães, no qual figura como povoação de “Sequeirôlos”. Em 1220, a igreja de S. Paio possuía várias searas e três casais: outros cinco pertenciam à Ordem do Hospital e sete ao Mosteiros de Rendufe: nesta época, a Sequeiros estava incluída nas terras do Bouro: contudo, em 1258, já figurava entre as freguesias da “terras” ou julgado medieval de Regalados devido a um ajustamento administrativo.

Segundo as Inquirições de 1258, Sequeiros foi honra de D. Egas Fafe, dada por D. Afonso II, dela não fazendo nenhum foro e este monarca. As mesmas Inquirições deixam entender que os encargos de voz-e-coima, fossadeira e entroviscada, se referiam apenas ao lugar ou “villa” de Fontelo, não sendo pois exato, que toda a freguesia fosse honra legítima ou toda doada a D. Egas Fafe. Só mais tarde é que toda a povoação se tornou honra, pela inclusão nesta, do lugar de Fontelo, que pelo menos, peitava à coroa, a “voz-e-coima”.

Fazem parte do património cultural e edificado de Sequeiros a Igreja Paroquial e o cruzeiro ribeiro. A praia fluvial no rio Homem e o Monte Ramalha são os locais de maior interesse no plano turístico.

A agricultura é ainda hoje a atividade económica que mais corresponde às necessidades dos habitantes de Sequeiros, embora, ao contrário de outros tempos, os seus produtos sejam cultivados em quantidades apenas suficientes para o autoconsumo.


Paranhos

Paranhos dista cerca de 10 quilómetros da sede do concelho de Amares, do distrito de Braga e tem por orago da Freguesia S. Lourenço, celebrado anualmente no dia 10 de Agosto.

O topónimo "Paranhos" é um indício de antiguidade do povoamento, pois é um derivado do topónimo "Paramo" do Português antigo " Paranho", "lugar com privilégios de honra". As inquirições de D. Dinis, em 1290, mandavam que, após a morte do "amo", quem o tivesse servido em vida, lhe "emparasse" o lugar, dando-lhe o nome de "Paranho", ou seja, amparando, ou "defendido por honra". Contudo muitos senhores de propriedades, em abuso de casais, de tal regra se serviram para fugir á fazenda e por isso o rei aboliu o privilégio.

Paranhos foi uma vigairaria da apresentação do reitor de S. João de Coucieiro. No termo de Vila de Regalados, passando depois a reitoria. Paranhos pertencia então, ao Conselho de Entre Homem-e-Cávado; esteve ainda anexada a Caldelas, a Sequeiros e a Souto.

Quanto ao património cultural edificado, sobrevivem em bom estado de conservação: a Igreja Paroquial e o seu jardim envolvente, o Cruzeiro das Lages (restaurado ultimamente, possui um parque de merendas), o cruzeiro da rua da Sra. da boa viagem, os espigueiros situados ao longo da localidade, a corte de pedra de Calvêlo e o marco geodésico no alto do talefe (no monte cerdêda).

Paranhos está situada a este da margem esquerda do rio Homem, povoada de matagais e giestas, sendo uma zona privilegiada em caça, existindo mesmo uma zona de caça associativa “o clube de caça dos amigos de Paranhos” que atrai inúmeros populares e forasteiros.

No aspeto económico, a agricultura, apesar de ser uma actividade tradicional em Paranhos, sofreu grandes evoluções nas últimas décadas, permitindo que se evoluísse a nível de produção, o que no entanto trouxe alguns aspetos negativos. Pois com o aumento da mecanização, houve uma diminuição considerável da mão-de-obra, pelo que a população que deixou de trabalhar nos campos, teve que se preocupar com outros meios de sobrevivência, o que por vezes implicava a procura de emprego nos centros urbanos.

Atualmente existem três empresas ativas, uma atividade de pirotecnia artesanal de Domingos Simões & filhos, que se tem vindo a manter ao longo dos tempos, é uma arte que vem mantendo as tradições, sendo sempre necessária nas festas e romarias da Freguesia de Paranhos ou noutras vizinhas; outra na área da construção civil e obras públicas de José Manuel Dias Fernandes, lda, que emprega atualmente pessoas de Paranhos, e outra empresa na área comercial Café Maia, sendo o único estabelecimento comercial atualmente na localidade.

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